Bolívia pagará US$ 112 milhões por duas refinarias da Petrobras
10/05/2007
21h02 - Após intensa negociação, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, informou na noite desta quinta-feira que a Petrobras receberá US$ 112 milhões pelas duas refinarias que tem na Bolívia. Segundo ele, o valor foi o apresentado pela estatal brasileira em proposta enviada ao país vizinho na última segunda-feira.
A venda integral das unidades é negociada desde quarta-feira, em La Paz, pelo presidente da Petrobras da Bolívia, José Fernando de Freitas, o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, e o presidente da estatal boliviana YPFB, Guillermo Aruquepa.
Nesta quinta, o presidente da Bolívia, Evo Morales, havia dito que confiava num acordo com a Petrobras. "Se resolvemos problemas muito sérios, profundos, temas de fundo com o companheiro Lula, como não poderíamos resolver o tema das refinarias?", afirmou Morales.
Segundo informou uma fonte do alto escalão do governo brasileiro, na última proposta apresentada, a Petrobras foi orientada nesta quarta-feira por Lula a aceitar uma possível contraproposta boliviana. Segundo sua assessoria de imprensa, porém, Lula não tomou parte das negociações, já que seu dia de ontem foi totalmente voltado à recepção do papa Bento XVI. Mas nesta quinta Morales disse que a intervenção de Lula foi fundamental para um "final feliz" nas negociações.
Ainda segundo declarações feitas por Evo Morales, a Petrobras "baixou bastante" o preço proposto inicialmente para as refinarias, primeiro de US$ 200 milhões para US$ 153 milhões, e então para os US$ 112 milhões atuais. "À margem dos valores, o importante é a decisão política, e a decisão política do povo boliviano é recuperar (as refinarias) e a do presidente Lula é de devolvê-las a um preço justo", afirmou Morales nesta tarde.
Entenda
A estatal brasileira decidiu vender 100% das refinarias depois da assinatura de um decreto pelo presidente boliviano, no último domingo, que afetou o fluxo de caixa da Petrobras na atividade de refino na Bolívia. Até então, apesar da nacionalização anunciada por Morales, a empresa ainda cogitava permanecer no país como parceira do governo vizinho.
O decreto concedeu à YPFB o monopólio da exportação do petróleo reconstituído e das gasolinas ´brancas´ produzidos pelas refinarias do país. Após muito impasse acerca de qual seria o "preço justo" a ser pago pela Bolívia, a estatal brasileira apresentou, na última segunda-feira, uma proposta final para fechar o negócio. Na quarta-feira, representantes da Petrobras, do governo boliviano e da YPFB iniciaram as conversas em La Paz para esclarecer os termos do texto, debates que terminaram nesta quinta com a assinatura de um acordo. Caso não houvesse consenso, a Petrobras e o próprio governo brasileiro tinha declarado que recorreria à arbitragem internacional.
As duas instalações da Petrobras, uma em Cochabamba e a outra em Santa Cruz, foram vendidas pelo Estado boliviano em 1999, numa licitação, por US$ 104 milhões - desde então, a Petrobras investiu mais US$ 30 milhões em modernização. As unidades são as duas maiores que operam no país vizinho e processam cerca de 40 mil barris de petróleo por dia.
Da Folha News
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