População de BC duplicou em 10 anos, diz Prefeitura
Santa Catarina é o Estado que mais atrai pessoas de outras regiões do País
Não é de hoje que as belezas naturais e a fartura motivam a migração populacional para os horizontes litorâneos. Relatos referentes à colonização apontam que desde 1700 as terras de Santa Catarina eram povoadas por índios que, atraídos pelo clima agradável e a bonança de alimentos, encontravam na região o seu lugar de refúgio. Hoje, passadas sucessivas gerações, os interesses mudaram. A dinâmica das cidades foi adaptada para uma economia voltada para o turismo. E, em meio a prédios exuberantes e um trânsito problemático, prevalece o clima de prosperidade, fator que condiciona a Bela Santa Catarina a ser hoje o principal destino dos imigrantes brasileiros.
Levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) revela que Santa Catarina é o Estado que mais atrai pessoas de outras regiões. Seu saldo migratório foi de 77 mil pessoas por ano entre 2001 e 2005 e 90 mil em 2006. Depois de décadas sendo o principal pólo de atração de gente de todos os cantos do Brasil, o Estado de São Paulo se transformou, no novo milênio, na unidade da Federação que mais perde moradores. Só em 2006, o saldo de pessoas que deixou o território paulista ultrapassou 200 mil. Na avaliação do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, o quadro mostra que as pessoas estão em busca de maior qualidade de vida, mesmo que isso implique em redução de renda ou status.
Balneário é referência em qualidade de vida
Entre as cidades do Estado, Balneário Camboriú é destaque desse movimento migratório. Conforme informações extra-oficiais do Poder Executivo, a cidade teve sua população duplicada nos últimos dez anos. O secretário de Planejamento comenta que não existe maneira de impedir os movimentos migratórios, por sua vez possui ciência que a cidade precisa se qualificar conforme o aumento da população. "Precisamos melhorar nosso trânsito, construir ciclovias, arborizar a cidade e manter os serviços básicos sempre em dia. O importante é manter a qualidade de vida para comunidade que BC tradicionalmente já oferece", finaliza Auri Pavoni.
É importante destacar que toda cidade de imigrantes possui suas implicações. A Constituição brasileira prevê o direito de ir e vir. No entanto, um problema apontado pela Secretaria da Mulher, Criança, Adolescente, Idoso, Trabalho e Desenvolvimento Comunitário é o processo de favelização. Motivados pelas oportunidades financeiras, muita gente chega a Balneário Camboriú mas acaba sendo lançada para áreas de ocupação irregular. "O sonho custa caro. Morar em BC não é barato. Conseguimos controlar a posse ilegal de terras no município graças a um intenso trabalho de cadastro junto às famílias. No entanto, o município de Camboriú está sofrendo com esse quadro agora e está na hora do poder público de lá tomar providência", comenta o secretário adjunto, responsável pelos estudos migratórios em BC, Luis Maraschin.
O fluxo urbano migratório em Santa Catarina possui também como fator determinante os problemas encontrados pela agricultura.
Financiamentos intermináveis e a falta de uma política agrícola eficaz fazem com que as edificações em áreas urbanas se potencializem. "A construção civil acompanha a demanda de clientes. Enquanto houver interesse da população a cidade vai continuar crescendo. Não há nada que possamos fazer, só lutarmos para preservarmos a melhor qualidade de vida possível para a população", finaliza o presidente do Sindicato Patronal da Construção Civil, Carlos Haack |